Obrigada
Outubro 28, 2013
Estive com um bebé de duas semanas ao colo.
E andámos (outra vez) a dançar na auto-estrada.
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Outubro 28, 2013
Estive com um bebé de duas semanas ao colo.
E andámos (outra vez) a dançar na auto-estrada.
Outubro 16, 2013
ternura. tranquilidade. transparência. tabela. tangência. tu. tudo.
Julho 29, 2013
Rabugenta e cansada.
Julho 25, 2013
O realismo, por oposição ao optimismo ou pessimismo, ganha em todas as frentes. Ainda que isso nos arranque o coração do peito e o desfaça em mil pedacinhos impossíveis de colar novamente.
Junho 21, 2013
Em determinada altura da sua adolescência, o Irmão andou agarrado a uns livros de aventuras em que a personagem principal (o próprio leitor) era confrontada com escolhas que dirigiam história para um ou outro rumo. Algo do género "Chegou a um castelo. Se quiser entrar pela porta, vá para a página 28; se quiser entrar pela janela, vá para a página 90", sendo que entrando pela porta éramos atacados por ogres verruguentos e entrando pela janela tínhamos de fugir de aranhas assassinas. À mistura havia umas cartas com pontos de força, batalhas, armas, dragões e toda uma panóplia de coisas de role-playing.
Nunca achei muita piada a esses livros e andava sempre para trás e para a frente nas páginas quando não gostava do desfecho da escolha que tinha feito anteriormente. Angustiava-me, sobretudo, não conhecer todos os rumos possíveis.
Hoje, continuo a angustiar-me quando, na incerteza de uma decisão, desejo ter o poder de espreitar para o futuro e descobrir qual o resultado daquilo que opto fazer no presente. Ao contrário dos livros, a vida não deixa andar para trás e para a frente, em undos e redos infinitos.
E às vezes dava-me jeito.
Maio 30, 2013
Há dias em que me sinto um zero à esquerda.
Muito, muito, muito pequenino.
Maio 20, 2013
Quando te peguei ao colo pela primeira vez, eras uma pequena bola de pelo castanho, ternurento e fofinho. Mal abrias os olhos e parecias imensamente indefeso. Escolhemo-nos mutuamente, acho. Ainda nos foi sugerido que trouxéssemos um irmão teu, de ar pachorrento e molengão, mas não quisemos. É verdade: foi-nos acenada a hipótese de termos um cão normal e preferimos ter-te a ti. Ignorámos o coração a bater desenfreado na palma da minha mão, um presságio do bicho agitado em que te virias a tornar; também fizemos orelhas moucas aos guinchos soluçantes que emitias, uma antevisão de todos os agudos que viriam a sair constantemente do mais ínfimo recanto da tua garganta canina. Eras tu e pronto.
Cometemos imensos erros na tua educação. Não te conseguimos habituar à presença de outros cães. Não te conseguimos habituar a andar de trela. Não te conseguimos habituar a caminhar ao nosso lado. Não te conseguimos habituar a não uivar durante a noite. Não te conseguimos habituar a não escavar buracos pelo quintal todo. Sabias as regras, apenas escolhias não as seguir. Na verdade, eras bicho para fazer o Dog Whisperer descabelar-se todo.
Uma vez saltaste por cima do muro para ir atrás não sei do quê. Pusemos uma rede mais alta. Voltaste a saltar. Pusemos uma rede ainda mais alta. Fizeste um buraco e voltaste a saltar. Era frequente tocarem-nos à campainha para nos avisarem que "O vosso cão anda na rua". Tinhas sempre que fazer do lado de fora da casa. Comer porcarias. Ir ladrar aos outros cães. Levantar a pata em todas as esquinas e pedras. Rebolar-te em coisas imundas. Uma alegria.
Noutra ocasião, aproveitaste um nanosegundo de distracção em que o portão se manteve aberto sem vigilância e saíste disparado. Logo por azar, naquele exacto momento, passou um carro na rua a uma velocidade pouco compatível com cães que saem disparados do meio do nada. Levaste uma pancada, ganiste, fizeste-nos pensar o pior. Mas quando fomos ver, já ias bem longe, a saltitar com as orelhas ao vento, extasiado com a sensação de liberdade.
Também nos ajudavas na jardinagem. Comias pêssegos podres directamente da árvore. Ias roer limões – que tinhas arrancado dos ramos - para os degraus da entrada. Abrias sulcos em busca de minhocas. Usavas a mangueira como aperitivo enquanto não te enchíamos o prato (este hábito, aliás, levou-te de emergência ao veterinário por teres ficado com os intestinos entupidos com o plástico que tinhas roído). E depois de teres descoberto os prazeres da coprofagia, a vida em casa nunca mais foi a mesma.
Em determinada altura, achámos que o teu problema era excesso de energia. Levámos-te à praia (na época baixa, obviamente) para correres à vontade. E como correste... principalmente atrás dos outros companheiros de quatro patas. Quando te colocámos novamente no carro, arranjaste forma de ladrar a todo e qualquer cão que se cruzasse connosco, de tal maneira que acabámos por ter uma matilha a perseguir-nos estrada fora. Eras um verdadeiro bullier e nunca te intimidaste com o facto dos outros terem o triplo do teu tamanho.
Ir contigo a qualquer lado era uma aventura e exigia comer previamente dois ou três bifes bem aviados. Não que fosses corpulento ou pesado, mas porque nos cansavas com os teus guinchos de excitação, com o frenesim da trela a puxar, com a sofreguidão de perseguir tudo o que se mexesse ou te parecesse minimamente interessante.
Dizem que os cães adaptam o seu comportamento ao estado de espírito dos seus donos; se eles estão tristes, o cão tenta consolá-los; se estão contentes, partilham dessa alegria. Tu estavas-te perfeitamente a borrifar. Estivesse eu como estivesse, rouca de tanto gargalhar ou com a vida a inundar-me por dentro e a transbordar-me pelos olhos, tu babavas-te para cima de mim como sempre, corrias e saltavas à minha volta como sempre, desafiavas-me com a bola como sempre, enchias-me de pelos como sempre.
Quando ficaste leishmanioso - e passado o choque inicial - interiorizei o facto de, mais tarde ou mais cedo, ficarmos sem ti. Tive apenas receio do processo até chegarmos a esse momento; tive receio que os rins ou o fígado falhassem, ou que sofresses um qualquer colapso súbito, ou que fossemos obrigados a correr a toda a hora para o veterinário, procurando mitigar-te o sofrimento.
Mas tal não aconteceu. Aguentaste-te heroicamente. Fizeste as medicações prescritas, as análises de controlo, a alimentação regrada. Não sei se foi por isso ou por pura sorte, mas demos a volta às sacanas das leishmanias. E o teu comportamento “exemplar” manteve-se genuinamente tresloucado até ao fim.
Foste um bom cão – um verdadeiro cão – e acho que fomos bons donos.
Quando nos dizem que para esquecer este devíamos arranjar já outro, eu penso por que raio de razão quereríamos nós fazê-lo. “Esquecer este” (esquecer-te!) seria esquecer os últimos doze anos de vida, da nossa vida-a-dois-mais-um-cão-de-olhos-amarelos-e-mal-comportado. Nunca conseguiria fazê-lo e conforta-me saber que, pelo menos nas nossas memórias e nas memórias dos sítios por onde passámos, tu serás eterno.
Maio 17, 2013
O bisturi corta-nos, os instrumentos entram-nos no corpo. São feitas manobras, acreditamos que com habilidade. A linha cose-nos, os pensos e as gazes protegem-nos. O paracetamol corre heroicamente por um tubinho. A anestesia distancia-nos de tudo.
Depois, deixam-se as feridas sarar, lentamente. E espera-se que a pele regenere, lentamente.
Mas nunca é exactamente a mesma coisa. Há sempre uma cicatriz qualquer a fazer de âncora entre o antes, o durante e o agora.
Ainda que aparentemente invisível.
Fevereiro 11, 2013
um curso, workshop, tutorial, vídeo no youtube, instruções, alguma coisa - qualquer coisa - que nos ensinasse a gerir expectativas.
Janeiro 17, 2013
Foi um ano estranho.
(não o são todos?)
Pouquíssimos posts aqui no blog e muitas coisas vividas fora dele, boas e más.
Nas más, é engraçado porque pensamos sempre que não vamos aguentar, que vamos desabar a todo o instante. Mas depois apercebemo-nos que não. Apercebemo-nos de que aguentamos sempre mais um bocadinho, mais um bocadinho, mais um bocadinho. As pernas encontram sempre uma réstia de força para irem andando, a corda tem sempre um pouco mais por onde esticar sem partir. O mundo carrega-se às costas mas, surpreendentemente, lá vamos conseguindo suportar-lhe o peso.
As boas foram normais. E normal é bom. Normal é excelente, aliás. E pouco valorizado, penso eu. Esse é o meu principal desejo para 2013: saber apreciar mais quem e o que tenho e perder menos tempo com quem e com o que não tenho.
O segundo desejo para este novo ano, para além dos óbvios paz e amor para todos, é, tal como a Pêpa / Pépa / Pepa, poder comprar uma mala Chanel. Eu e todas as pessoas que vivem ao cimo da Terra.
E, já agora, que o mundo não acabe (outra vez)!
Feliz 2013!
Dezembro 07, 2012
- Já viste os teus olhos?! Estão roxos e negros! Parece que estás ganzada!
Novembro 19, 2012
sorriso. sentir. suspiro. segurança. sempre. sabor. símbolo. saudade. semicerrar. soluço. solavanco.
Outubro 25, 2012
Mãe, em momento depressivo #1: Vocês, meus filhos, foram a melhor coisa que eu fiz...
Eu: Ó mãe, olha que este almoço também está mesmo muito bom!
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Mãe, em momento depressivo #2: Não sei se tenho sido a mãe que vocês gostavam...
Eu: Olha, eu também não. Não tenho outra, logo, não tenho termo de comparação.
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Mãe, em momento depressivo #3: Cheguei a ter medo de conduzir.
Eu: Eu todos os dias tenho medo de conduzir. Ao preço que a gasolina está, tenho mesmo muito medo.
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Mãe, em momento depressivo #4: Talvez na próxima reencarnação...
Eu: Como é que sabes que não vais reencarnar numa planta qualquer, ali exposta aos elementos, a abanar de um lado para o outro e a levar com cocó de pássaro em cima? O melhor é aproveitares agora.
Outubro 11, 2012
Também quero.
Setembro 06, 2012
Pois que, dizendo as coisas assim a crú, sem floreados ou qualquer outro tipo de arvoredo colorido, parece que já não vou morrer de repente. Pelo menos não disto :)
Junho 15, 2012
As notícias e as opiniões que nos chegam trazem consigo uma botija de oxigénio que sorvemos inteira para dentro do peito. São momentos avassaladores, medidos em gráficos cheios de extremos. Rimos e choramos. Não há nexo, porque não é preciso que haja nexo. Corpo e mente agitam-se de forma descoordenada, como quando empurramos algo muito pesado que de repente nos escapa das mãos e ficamos a fazer força no vazio.
Face ao mau, o assim-assim parece-nos ser bom.
No preciso micro-segundo em que interiorizamos esse facto, apercebemo-nos o quão imensa era a carga invisível que há vários meses nos esmagava os ombros.
Maio 30, 2012
Não tem nada a ver com o vento ou com o calor, com o Inverno ou o Verão. Não tem nada a ver com os amigos ou com a família, com os colegas ou os conhecidos. Não tem nada a ver com o som da campainha ou com os telefonemas, mails, sms ou chats. Não tem nada a ver com o que como ou bebo. Não tem nada a ver com as horas que durmo ou que passo a pedalar. Não tem nada a ver com os passeios ou com a minha coisa-com-rodas-que-me-leva-para-quase-todo-o-lado, com o zapping alheado ou o som da madeira a crepitar na lareira. Não tem nada a ver com as crises, com os subsídios ou com os prémios. Não tem nada a ver com as conversas ou com o que leio ou o que ouço. Não tem nada a ver com a roupa que passo a ferro ou com os golos nos matrecos. Não tem nada a ver com as golas altas ou as borbulhas na pele, com os arranhões ou as nódoas negras. Não tem nada a ver com vectores, érregêbês, códigos ou miras. Não tem nada a ver com sonhos, com esperanças ou com desejos. Não tem nada a ver com o ser-peludo-que-vive-connosco, com a casa nova e os projectos eternos. Não tem nada a ver com gelados, chocolate ou batatas fritas. Não tem nada a ver com o amor ou com o carinho, com os abraços ou com os beijos.
Não tem nada a ver com nada disto. Mesmo nada.
Todas estas coisas, pessoas, acontecimentos ou sensações seguem o seu caminho de forma independente. Tudo acontece, é e está sem que faça qualquer diferença sobre aquele momento que se repete em mim todos os dias, sem excepção. Sem que se modifique, nem que seja ligeiramente, aquele instante, ora breve ora demorado, em que eu, à margem e em paralelo com o resto do mundo, esteja onde estiver ou faça o que fizer, me sinto terrivelmente só.
Maio 25, 2012
vamos vivendo :)
Maio 16, 2012

Há coisas que nos abalroam a grande velocidade, subitamente, saídas de onde menos esperamos. Coisas que nos derrotam, que nos fazem inundar o mundo com lágrimas e questionar as respostas, as perguntas, os silêncios. Tudo se transforma num labirinto, numa cadeia de acontecimentos, de causas e efeitos, de pontos de interrogação, de reticências, de vírgulas, de pausas. Instala-se uma dormência que achamos que nunca vai passar e deixamo-nos arrastar para tão, mas tão longe que duvidamos ser possível, algum dia, regressar do sítio para onde fomos empurrados.
Mas o ser humano é verdadeiramente extraordinário e, por entre o caos, sem sabermos como, lá arranjamos forma de rodear ou ignorar os obstáculos e quando damos por nós, estamo-nos a rir, meio enlouquecidos, de toda a trampa que nos vai acontecendo. A meio do dia, sozinhos ou acompanhados, no banho, a lavar os dentes, a pedalar, a estender a roupa, libertamos descaradamente gargalhadas quase histéricas e acreditamos, por momentos, que, seja o que for, havemos de lhe sobreviver. E por momentos, conseguimos, enfim, voltar a respirar, seja aos soluços, seja engolindo gigantescas golfadas de ar.
Março 26, 2012
A coisa chegou num envelope fechado e lacrado com agrafos, vinda de um remetente ameaçador qb. Muito palavreado que o meu cérebro rapidamente resumiu num único facto: queriam que eu mentisse. Mais: queriam que eu mentisse e assumiam isso como um dado adquirido.
Após o choque inicial, em que andei assarapantada comigo mesma, tive um súbito e revelador ataque de lucidez: percebi que estava a ser estúpida. O meu pensamento é meu, a minha opinião é minha.
Escrevi então quatro mil, duzentos e sessenta e seis caracteres para justificar a minha recusa em mentir. Chateou-me, porque não deveria precisar de um único, mas, pelo menos, vou continuar a deitar a cabeça na almofada e a adormecer tranquilamente.
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