Aborto em argumentos (i)lógicos

Dei-me ao trabalho de assistir aos tempos de antena dos movimentos pelo sim e pelo não. (In)felizmente, estava num daqueles dias em que apenas olho para a lógica das coisas e houve duas que simplesmente não "encaixaram". Por coincidência, ambas vieram da plataforma "Não, Obrigada".

A frase é "Abortar por opção sabendo que já bate um coração?". Dizem que, graças a avanços científicos, é possível saber que o coração do feto começa a bater ao 20º dia.

Pela lógica (ou ilógica), até ao 20º dia não há problema em fazer um aborto. Antes das 24 horas do 19º dia, o coração ainda não bate, por isso, tire-se à vontade; depois da meia-noite, atenção, já não pode.

A outra frase é "Contribuir com os meu impostos para financiar clínicas de aborto?". Dizem que a despenalização da interrupção voluntária da gravidez vai desviar verbas que são necessárias para o Serviço Nacional de Saúde.

Mais uma vez, pela lógica (ou ilógica), os impostos também não deviam ser utilizados nos próprios centros de acolhimento a grávidas necessitadas. Se engravidaram apesar de toda a informação e de todos os meios contraceptivos disponíveis, porque é que eu tenho de as ajudar com os meus impostos, quando há listas de espera de anos e anos nos hospitais, para situações bem mais graves e até de vida ou morte?

...

(a própria frase que vai aparecer no boletim de voto não é muito lógica:

"Concorda com a despenalização da interrupção voluntária da gravidez, se realizada, por opção da mulher, nas primeiras 10 semanas, em estabelecimento de saúde legalmente autorizado?".

Por opção da mulher? E o pai da criança, se quiser, não opina? Será a gravidez fruto de concepção imaculada?)
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publicado por outrosdias às 11:30
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