Dezoito

Dizem que não há duas sem três. Eu já nem sei.

A "impressão" que, há cerca de duas semanas e meia, senti na gengiva do siso inferior esquerdo – nada que não tivesse já acontecido e passado rapidamente, sem consequências – foi apenas a ponta do iceberg.

A gengiva inflamou de tal maneira que não conseguia fechar a boca sem que o dente de cima a "esmagasse", causando, assim, ainda mais dor e piorando a infecção. Passava o tempo com um saco de gelo encostado à cara, à espera que decorressem horas suficientes para poder tomar outro analgésico ou outro anti-inflamatório.

Os antibióticos receitados pelo dentista aniquilaram por completo o equilíbrio bacteriológico existente na minha boca. Alguns bichos foram destruídos, mas outros, deixados sem "predadores", encontraram campo para proliferarem. Comecei a queixar-me da garganta. Pensou-se primeiro em amigdalite, mas rapidamente se viu que era candidíase orofaríngea. Tinha o fundo da boca coberto por aftas... placas e placas de aftas.

Não conseguia falar, mastigar, engolir. A Mãe chegou a ter de me dar comida à boca. Eu chorava.

A febre era uma constante. De dia e de noite, dias e noites, assim que passava o efeito do antipirético, lá voltava o termómetro a disparar. Delírios, prostrações, arrepios, suores, trocas de roupa, banhos improvisados.

Numa das madrugadas, a garganta e a língua incharam tanto que comecei a ter dificuldade em respirar. O ar não passava. Nas urgências, mandaram-me tomar um corticóide para desinflamar e fazer outro antibiótico.

Dois ou três dias depois, a febre finalmente cedeu. A garganta deixou de estar tão inflamada e as aftas começaram a ficar menores. Mastigar e engolir um pedacinho de miolo de pão marcaram o princípio da minha recuperação. Recomecei a sentir-me eu.

Quando já pensava em regressar ao trabalho, acordei com os braços, mãos, cara e pés cobertos de pequenas borbulhas vermelhas. E muita comichão. No Centro de Saúde, disseram-me que era alergia ao antibiótico que ainda estava a tomar. Troquei-o por um anti-histamínico.

Hoje ainda tenho mais borbulhas que ontem. A comichão mantém-se. Estou de baixa até amanhã e segunda-feira já devia ir trabalhar, mas a Mãe vai ser operada às cataratas.

Dezoito é o número de medicamentos que já tomei desde que esta "saga" começou.
Não admira que esteja doente.
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publicado por outrosdias às 15:43
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