Tira-dentes

Dentro da minha boca reside um número ímpar de dentes. Tinha-os todos, sisos incluídos, até ao dia em que uma médica decidiu que era engraçado tirar-me um.

E tirou-o.
E doeu comó caraças.

Por razões várias - embora a principal tivesse sido a péssima assistência pós-operatória - escolhi outra clínica e outro dentista para as revisões seguintes.

Saiu-me na rifa um que me queria arrancar os restantes dentes do siso. Porque estão meio inclusos e porque "não servem para nada".

Com aqueles sugadores de cuspo enfiados até à garganta e de olhos a piscar por causa da luz apontada às minhas entranhas, disse-lhe que sim e nunca mais lá fui.

Anteontem, ontem e hoje, soube, pela primeira vez, o que é ter uma verdadeira dor de dentes. Ou antes, uma verdadeira dor de gengivas.

A gengiva de um dos tais sisos que devia ter sido extraído resolveu lembrar-me constante, dolorosa e latejantemente que existe. Não consigo abrir nem fechar a boca e a baba escorre-me pelos cantos.

E dói. Comó caraças. Ao ponto de não conseguir dormir.

Estou a antibiótico, analgésicos, anti-inflamatório e elixir bucal.


ai....
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publicado por outrosdias às 12:47
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