Peixa

Ontem voltei para o meu jacuzzi semi-olímpico.

Os braços pesaram-me. O rabo flutuou sozinho. As pernas pareciam varas imóveis.

Caneco. Eu não era assim.

Quando me iniciei nas artes natatórias, aí pelos meus 9, 10 anos, detestei a coisa. Era sempre aos sábados, depois de um almoço de iscas com puré de batata. A piscina era-me enorme, funda, com água a mais. Sempre que entrava em estado de pré-afogamento, a monitora mandava-me fazer sorrisos amarelos e continuar a tentar. A mim só me apetecia chorar e fugir dali para fora (o que acabei por fazer).

Anos mais tarde, decidi que a água não iria ser mais forte do que eu e meti-me outra vez na natação. Aprendi a nadar como deve de ser, a controlar a respiração, a fazer apneia, a aperfeiçoar o meu sentido cinestésico. E fui passando de nível, passando de nível, passando de nível... até chegar ao ponto de o meu monitor me querer encaminhar para a competição. Na altura, estava no pico da minha relação com a mixórdia de H2O e Cl. Toda eu era água, cloro, braçadas, cambalhotas, viragens, metros e metros de estilos sem parar.

Mas não quis. Ou melhor, quis, mas, por causa da Faculdade, sabia que não tinha tempo.

Hoje, em que nado de forma mais ou menos contínua, já não tenho nem metade da pedalada dos meus tempos áureos. Fazer os 25 metros debaixo de água é motivo de festa para um mês inteiro.

Tenho pena de não conseguir mais.

Mas o que consigo sabe-me tão bem...

(e ontem reparei que as torneiras dos duches são da mesma marca que aquelas que queremos pôr na casa nova )

publicado por outrosdias às 15:04
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