Quarta-feira, 26 De Setembro,2007

Wild, wild world

Este fim-de-semana, vi na televisão um documentário sobre um grupo de pessoas, entre elas veterinários e tratadores, que, em Espanha, procede ao resgate de chimpanzés em situação de risco ou exploração.

Ao que parece, era muito comum utilizarem chimpanzés bebés nas zonas costeiras, mais propriamente nas praias, como forma de chamariz de turistas para sessões fotográficas com uma adorável destas crias selvagens. É claro que, para a cria selvagem ser adorável, eram utilizados métodos de "domesticação" muito pouco adoráveis, incluindo coisas tão simpáticas como queimaduras com pontas de cigarros.

Também mostraram o caso de dois chimpanzés que eram mantidos em casa e tratados como humanos - andavam de fraldas, vestiam roupa, tinham camas, etc.. Todo o seu lado selvagem estava completamente "desvirtuado". Quando os animais crescessem, seria praticamente impossível mantê-los domesticados como até ali e devolvê-los à natureza seria o mesmo que estar a entregá-los à morte.

As perturbações psicológicas de todos estes bichos eram visíveis. Situações aparentemente inofensivas espoletavam crises de stress e comportamentos semelhantes ao autismo.

Depois de resgatados, os animais eram levados para um "santuário" onde tinham espaço, contacto uns com os outros, alimentação adequada e cuidados médicos. A equipa é que não se livrava de telefonemas ameaçadores mas, felizmente, este tipo de situações já não é tão frequente assim e as autoridades estão hoje bem mais alerta para este problema do que antigamente.

Aparte o lado televisivo da coisa, foi bom ver o trabalho daquele grupo de pessoas e ver depois os chimpanzés devidamente integrados - felizes e saudáveis - num habitat mais ou menos natural.

No fim, ao assistir a tudo aquilo, não pude deixar de me sentir eu própria uma chimpanzé (chimpanzina? chimpanzona?) à espera de ser resgatada.

É um bocado parvo, eu sei.

...
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publicado por outrosdias às 11:46
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Instinto

A Mãe (e não só...) pede, com alguma insistência crescente, um neto.

- Dêem-me um neto. Pelo menos para perpetuar o meu sangue.

Assim, com estes pozinhos dramáticos todos, como se daí dependesse a sobrevivência da espécie humana nesta Terra em vias de extinção. A mim dá-me vontade de rir - principalmente pela argumentação apresentada -, seguida de uma certa vontade de gritar.
__________

Eu fui(?) daquelas miúdas maria-rapaz que quando virava o radar da atenção para as bonecas que teimavam em me oferecer, era para lhes arrancar cabeças, braços e pernas e afogá-las no lavatório ou no bidé, coisas bem mais engraçadas (e macabras!) do que tapá-las de noite e dar-lhes papinha e o aconchego do colo.

A única boneca de que verdadeiramente gostava chamava-se, em minha honra, Chorona. A cabeça fora recuperada de um dos meus exorcismos aquáticos e corpo era feito de pano, um tricot cor-de-laranja com recheio de espuma. Feia como tudo, tinha braços e pernas muito compridos - ou pelo menos assim me pareciam - e como eu me divertia a dar intermináveis nós pés-com-mãos-agora-a-cabeça-e-a-perna-depois-o-braço-com-o-joelho, em malabarismos impressionantes que a transformavam numa bola fantástica para ser chutada contra a parede ou contra a cabeça do irmão.

A Chorona foi A boneca da minha infância. Nasceu pelas mãos da Mãe e já há alguns anos que se mudou de armas e bagagens - acredito que também cor-de-laranja - para uma lixeira qualquer, mas é a única em que penso de vez em quando e que até teve direito a um canto na minha fraca memória.

Se fosse hoje, chamar-se-ia Chorona Gritona.
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publicado por outrosdias às 09:46
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