Irmãos (mas pouco)

Gosto dos pedrasmen - que também são tintasmen - que andam há quase dois meses a fazer-nos um lifting à casa.

São pessoas simples. Educadas. Prestáveis. Não muito bons em acabamentos mas sempre prontos para corrigir seja o que for. Trabalham devagar mas antes das oito da manhã já a betoneira anda a rodar e muitas vezes só saem de lá depois das sete da tarde. Não bebem, não fumam, levam as marmitas com o almoço e quando estou em casa, pedem-me para lhas aquecer no fogão. São do interior e têm um falar meio cantado a que achamos graça.

Aqui há dias, roubaram as calças a um deles. É cómica a imagem do homem apanhado SEM as calças na mão, mas apenas por alguns instantes. Nos bolsos tinha todos os seus documentos, as chaves do carro, de casa, dinheiro.

Foram fazer queixa às autoridades competentes. O GNR que tomou nota da ocorrência somou aos cumprimentos finais a seguinte frase:

- Isso deve ter sido um brasileiro qualquer que a esta hora já está longe!

As nossas forças policiais conseguem sempre surpreender-me com a sua delicadeza e profissionalismo.

Acredito que aos pedrasmen tenha acontecido o mesmo.

Mesmo sendo brasileiros.
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publicado por outrosdias às 10:36
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