Ampulheta

E a pessoa em si? Lamentam-se actos e choram-se saudades, mas quantos pensam efectivamente nela e não naquilo que não se fez ou não se disse?

O que terá sentido? Dor? Dormência? Sufoco? Como terá sido o perder da consciência? Aos poucos, depressa, de uma só vez? Estava triste? Contente? Tranquila? Assustada? Ouvia o que se dizia à sua volta? Sabia que lhe pegavam na mão? Conseguiria pensar? E onde estava e para onde foi essa coisa abstracta a que alguns chamam alma? Esfumou-se?

O corpo enterra-se - à terra o que é da terra - mas o que acontece à pessoa?

Haverá um outro planeta, uma outra dimensão paralela a esta? Um céu, um inferno? Se eu fechar os olhos e estender o braço, estarei a tocar em alguém que não vejo e não sinto?

Será o nosso corpo apenas um abrigo temporário? Ou juntamente com ele extinguem-se todas as ideias e todos os sentimentos?

Será só isto? Assim, tão pouco e tão finito?
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publicado por outrosdias às 10:26
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