Nunca é exactamente a mesma coisa

O bisturi corta-nos, os instrumentos entram-nos no corpo. São feitas manobras, acreditamos que com habilidade. A linha cose-nos, os pensos e as gazes protegem-nos. O paracetamol corre heroicamente por um tubinho. A anestesia distancia-nos de tudo.

Depois, deixam-se as feridas sarar, lentamente. E espera-se que a pele regenere, lentamente.

Mas nunca é exactamente a mesma coisa. Há sempre uma cicatriz qualquer a fazer de âncora entre o antes, o durante e o agora.

Ainda que aparentemente invisível.

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publicado por outrosdias às 08:00
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