Chega depressa, Primavera!

Não gosto desta altura do ano. Não me entendam mal: não tenho nada contra o aconchego das mantinhas e dos chocolates quentes, o chão forrado a folhas castanhas e crocantes, o cheiro a castanhas assadas. Muito pelo contrário. É que o Outono obriga-me a adiar as saídas de bicicleta ao fim do dia por não haver luz suficiente. É chato pedalar às escuras.

À falta de algo melhor que substitua os quilómetros de fisioterapia sobre duas rodas (a ver se as dores nas costas abrandam), sou obrigada a agarrar-me à maquineta elíptica que tenho por casa. Ao som de um rádio fanhoso parado numa estação estranha, com a cabeça a pensar em mil e uma coisas, lá terei eu de me sujeitar a meia hora sofrida a suar quase em bica.

Apesar de já não andar há não sei quantos meses naquela coisa, sei que continua a ser igualzinho: o tempo leva eternidades a passar, não há paisagem para apreciar, nem subidas pejadas de calhaus para ultrapassar, nem poças de lama onde cair, nem cães raivosos dos quais fugir, nem sítios com bolas de berlim onde parar, nem arbustos com cardos para onde nos atirarmos, nem arranhões, esfoladelas ou nódoas negras para fazer, nem nada.

Em suma: pedalar em casa é uma grande, grande seca!

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publicado por outrosdias às 15:39
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